sexta-feira, 28 de junho de 2013

Contribuição Militante, antes de tudo, um dever.

“Toda ação coletiva supõe a necessidade da organização e da disciplina. Mas, o valor da disciplina está no fato da disciplina voluntária e consciente da militância – não a disciplina do medo, a disciplina dos quartéis.”

José Comblin¹

Saudações!

A contribuição financeira das companheiras e companheiros do MAIS-PT Parahyba é expressão do seu compromisso com a organização partidária, seus ideais e sua luta. Ao longo dos últimos meses, essa norma não foi exigida, deixando-se que cada militante se comportasse de acordo com sua vontade, esperando assim a tão sonhada "disciplina consciente". A repetição desse comportamento, da não exigência do pagamento, por parte da Coordenação de Finanças do MAIS-PT Parahyba, acabou gerando uma situação onde o que, a princípio, era lacuna a ser preenchida, virou uma "cultura", hábito, e não contribuir regularmente com o MAIS-PT Parahyba, para a maioria das companheiras e companheiros, passou a ser norma.

Na última reunião do MAIS-PT Parahyba, iniciou-se uma viva discussão acerca da contribuição militante, vivemos um momento de efervescência política em nosso país. Debate-se Política nas ruas, nas repartições, nas empresas privadas, nas instituições de ensino, em casa... Hoje, mais que nunca, é preciso criar estruturas que garantam a divulgação de nossas ideias e ideais, mais que nunca é preciso garantir que as bandeiras tão debatidas pelo MAIS-PT estejam nas rodas de diálogo e nas pautas de todos os agrupamentos (inclusive os que se intitulam "apartidários), sabemos da importância de nossas bandeiras para o povo brasileiro, porque também somos povo, sabemos que o que fazemos e como fazemos é sério e importante para o Brasil.

Apesar do limitado número de militantes dispostos a assumir tarefas e de suas dificuldades pessoais, os esforços empreendidos ultimamente mostram que conseguimos colocar minimamente em dia a "agenda" das discussões partidárias e populares. A questão da contribuição militante como uma questão político-ideológica é indicadora do grau de organicidade do MAIS-PT Parahyba e reveladora do grau de adesão ideológica para com o Partido, assim como também do próprio MAIS-PT Parahyba, por parte da militância.

Contribuição militante não é um favor, é um dever de todas e todos para com seu próprio compromisso com a Luta do Povo, é uma tarefa revolucionária!


Priscilla Marques, militante.
Coordenação de Formação Política
MAIS-PT Parahyba

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¹Teólogo e padre, teve uma vida dedicada à Teologia da Libertação e foi militante da igreja, na Paraíba, no nordeste, no Brasil e na América Latina.

sábado, 22 de junho de 2013

Os lobos uivam... Sedentos.

"Não podem existir os apenas homens,
estranhos à cidade.
Quem verdadeiramente vive
não pode deixar de ser cidadão,
e partidário.
Indiferença é abulia,
parasitismo, covardia,
não é vida.
Por isso odeio os indiferentes.
Vivo, sou militante.
Por isso odeio quem não toma partido,
odeio os indiferentes."

in "Os indiferentes", Antônio Gramsci.


Focada em outras coisas e num momento muito corrido da minha vida vi, apenas de longe, o desenrolar deste movimento que se espalhou pelo país nas últimas semanas. Ausente, fui absorvendo de leve e entendendo aos poucos esse "movimento", confesso que a desconfiança sempre esteve aqui, mas que não dei tanta importância a isto pq sou naturalmente desconfiada.


Fui chamada de conformista por uma menina de 20 anos, nem isso me estimulou. A empolgação não chegou embora soubéssemos que era preciso estar lá, ainda que para, depois, voltar para casa sentindo um peso na alma... Vi companheiras e companheiros se empolgarem, dedicarem-se a mais um movimento que, na minha opinião, não é autêntico. Eu tinha que estar lá...

Foto do livro
"Marcha da Família
com Deus pela Liberdade"
Rodrigues Matias, 
1964
Caminhei entre Reacionários. Senti-me hostilizada, não pela polícia mas pela alienação verborrágica de muitas pessoas ali presentes, pela fugacidade e oportunismo permeados em cada poro, em cada mente vazia e manipulada, infiltrada entre nós. Defensores da vida e da família se fizeram presentes, com seus ameaçadores cartazes chamando-nos ao arrependimento(?!). Havia muitas pessoas ali realmente querendo algo sério e politizado, querendo contribuir, mas boa parte queriam mesmo uma foto, um registro, outros  tantos queriam um golpe...



Ouvi dizer que acordaram um Gigante e tive muito, muito medo. Quem será esta Besta assustadora que dormia? Sei que não era o povo brasileiro, não somos preguiçosos e inúteis como dizem os poderosos. O povo brasileiro (o que eu conheço) acorda cedo, trabalha muito e, quando tem internet, não tem muito tempo pra rede social.

Não aguento mais movimentos importados...
Vi até uma FEMEN na manifestação, com aquela guirlanda na cabeça e tudo, mas tava vestida. "Primavera Árabe" aqui seria o quê? "Inverno Tropical"? A rede social não vai garantir justiça social, ela é só MAIS UM instrumento na busca pela conscientização da classe trabalhadora. A Revolução NÃO será televisionada.

Chamadas às ruas, com esse nível de despolitização, é irresponsabilidade. Dizer que "o povo brasileiro não quer ser representado" e não propor nada convincente, também é irresponsabilidade.
 Os poderosos nunca vão permitir que trabalhadores governem este país. Os ricos nos odeiam, uivam, como lobos famintos, como cães selvagens e querem nosso sangue, querem o vermelho de nossas bandeiras. Sempre foi assim, não vai mudar, quando me perguntam se tenho ódio de classe fico imaginando o que eu faria se um filho estivesse com fome e alguém, propositadamente desperdiçasse comida na minha frente, para me ferir, como fazem os ricos, todos os dias.


Tenho ódio de classe sim e não peço desculpas por isso. Tenho ódio de quem consegue deitar e dormir tranquilo tendo milhões em suas contas bancárias, exigindo de seus empregados jornadas de trabalho extenuantes e pagando salários ridículos, exigindo redução fiscal dos governos para poder "investir" no país, especulando e levando nossas pequenas empresas à falência pelo simples prazer de demonstrar poder. Para mim nunca haverá consenso entre trabalhadores e donos dos meios de produção, eles querem nosso sangue. Eles aproveitam-se da juventude e de sua força revolucionária, manipulam, instigam ao caos, confundem...

Não preciso dizer para ninguém, nem pra esses guris manipulados, o quanto nosso país mudou, não preciso provar nada, está tudo aí, está tudo exposto, só não vê quem não quer, quem se deixa alienar.

 Com a Direita Golpista a conversa é outra, a postura é diferenciada, vamos para o enfrentamento: Este país é nosso, das trabalhadoras e trabalhadores que o construíram, com sangue e suor! Podem gritar, uivem se quiserem, do alto de seus edifícios de luxo, pisquem a luz e incentivem o caos, daqui nós ouvimos, estamos nas portarias, nas recepções, nas cozinhas, vemos os ricos todos os dias e não somos bobos, sabemos que estão insatisfeitos com tudo o que conquistamos, sabemos que não suportam que nossos filhos estudem nas mesmas faculdades que os seus, que nós possamos andar pelos mesmos lugares e que em breve, terão que pagar bem caro pelo machismo, pela homofobia e pelo racismo, porque sempre soubemos que pra vcs, nosso defeito não é ser mulher, gay ou preto, é ser pobre. Uivem enquanto podem, lobos assassinos, este povo não se deixará levar pelas astúcias da classe mais ignorante que este país já viu. Vcs só tem dinheiro.

Eu, mulher de partido, fui "aconselhada" a não levar minha bandeira. Sempre tive orgulho da minha bandeira... A MINHA, a que escolhi pra mim, não a que "fabricaram" com ideais do positivismo de Comte. Eu, militante do movimento social, caminhei entre pessoas com cartazes cheios de alienação e fascismo...

Levo comigo, uma bandeira. Vermelha. Ela sempre esteve aqui, nas veias de uma trabalhadora.


Militando desde os 15 anos de idade vi o descaso, a inflação e o desespero do meu pai por não conseguir nos dar o básico, o essencial, mesmo trabalhando tanto! Vi jovens serem chamados às ruas pela grande mídia, pintando seus rostos e gritando "Fora Collor!", para, anos depois, o colocarem de volta nos espaços de poder. Vi a bandeira vermelha do MST se erguer nesse país e com ela crescer a luta por Soberania; categorias de trabalhadoras e trabalhadores, centrais sindicais, como a CUT, erguerem suas bandeiras em Marcha atravessando distancias enormes para levar uma mensagem e fazer o povo conhecer esta Nação; homens e mulheres na busca por construir um país mais justo. Elas e eles erguerem a "Bandeira Vermelha"... A minha tem uma estrela. Eu tenho orgulho dela, pois conheço a história deste país.

Aprendi a fazer política na rua, no dia a dia, com minha mãe, com "a menina da limpeza", com "o moço do mercadinho", com "o homem da feira", com os partidos políticos, com os movimentos sociais que pensam o Brasil à sério... Com aquelas e aqueles que lutam pelo povo, porque são povo.

O que sei sobre o Brasil não foi aprendido na TV e nem no Facebook.

Eu senti, eu vivi.

Sou militante.






"Os cães ladram
mas a caravana não para."